Peripécias RPGisticas 4: Aquele que Fica para Trás, Deveria ser Deixado para Trás!

INTRODUÇÃO

Um grupo de personagens experientes está em uma missão de ataque. A missão, originalmente, tratava-se de descobrir quais eram os planos do exército inimigo, destruir suas instalações e apagar qualquer rastro de que estiveram ali.

PERSONAGENS

Um Anão Bárbaro, uma Bárbara Humana, um Pistoleiro Humano, um Clérigo do deus da mentira, um Halfling Ladino, um Mago Necromante, um Feiticeiro Quareen e um Druida Humano – novato no grupo.

Ao chegarem às instalações inimigas, que ficavam em uma escarpa rochosa com alguns túneis escavados, o grupo percebe que se trata de uma mina, de onde os inimigos extraíam algum tipo de metal (Adamante), carregavam o minério em dirigíveis e transportavam para algum outro lugar.

Ladino: Vamos nos aproximar furtivamente e descobrir o que eles fazem lá.

Todos concordam com o ladino e assim o fazem. Entretanto, um alarme (magia Alarme) soou próximo a eles, avisando a todos os inimigos sobre a presença e a localização dos intrusos. Tendo seus planos de entrar furtivamente frustrados, os aventureiros decidem ir para um confronto direto, para impedir que os inimigos, fracotes, mas em maior número, se concentrassem ao redor do grupo.

Sem maiores problemas, os aventureiros “armados até os dentes” dizimam os inimigos. Os inimigos, porém, obtiveram sucesso em decolar 4 dos 5 dirigíveis, sendo o quinto foi abatido enquanto decolava.

Clérigo: Foi um pouco fácil demais, não acham?

Bárbaro: Sim, eles eram fracos!

Feiticeiro: Hum! Só por garantia, vou subir para olhar os arredores, pois talvez hajam mais alguns deles escondidos. Mestre, eu uso voar (habilidade racial dos quareens) e subo até ter visão dos arredores.

Mestre: Bem, você observa os arredores e não vê nada de importante próximo dali, mas ao longe, você vê algo que parece um canyon. Observando mais atentamente, é possível ver o topo de um enorme dirigível na saída dos túneis da mina.

Feiticeiro: Pessoal, tem mais um balão do outro lado da mina! Se escalarmos a escarpa e corrermos, podemos chegar lá bem rápido.

Mestre: Todos ouvem o aviso mas, antes de terem tempo de começar a discutir, uma bola de fogo desce dos céus e explode perto do grupo.

Vocês percebem a silhueta de um sprite voando a cerca de uns 600 metros de distância, segurando um cetro de bolas de fogo. A figura sinaliza um “vocês estão ferrados”, engatilha o cetro e começa a disparar uma rajada de bolas de fogo aceleradas na direção de vocês. O que vocês fazem?

Bárbara: Eu grito para o cretino: “DESCE AQUI E LUTA COMO UM HOMEM DE VERDADE”, rolando um provocar.

Mestre: O sprite começa a rir e dispara ainda mais bolas de fogo, dizendo: “Ó, tô quase acertando o ângulo da mira hein!”

Ladino: Isso é só uma ideia besta, mas o que acham de…. CORRER?!

Grupo: Boa ideia!

O grupo corre para dentro das minas para se proteger. Ao entrarem, várias bolas de fogo estouram na entrada da caverna, fazendo-a desmoronar. Sem mais opções, o grupo segue pelo labirinto de túneis, passando por vários combates.

O grupo correu pelos corredores, matando todos que encontraram pelo caminho, como especificado em sua missão. Por ideia do mago, resolveram explodir a saída da mina, para assim, matar todos que ficaram para trás.

Ao chegar do outro lado, se deparam com o dirigível, que levava consigo o que parecia ser um braço metálico gigante, além de, como não poderia faltar, o Boss. Usando uma armadura completa de metal com dois escudos e, aparentemente, vazia e, obviamente, elétrica, o grupo percebe que estão diante de uma criatura extraplanar incorpórea. Frente a um poderoso inimigo, feridos, com poucas magias e quase nenhum suprimento, o grupo, composto não de heróis, mas de mercenários contratados, fez o que qualquer grupo de mercenários nesta situação faria….

Clérigo: Então, senhor comandante, matamos seus soldados, destruímos suas instalações e estamos prestes a arruinar o que parece ser a parte mais importante da sua missão.

O Boss o interrompe, assumindo postura de combate.

Boss: Não o farão sem antes passar por mim, o que não será fácil, eu garanto!

Clérigo: Sim, sabemos disso. Também sabemos que, para montar todo esse plano, vocês devem ter muito dinheiro, não é mesmo?

Boss: Certamente que sim.

Ladino: Então, 50.000 moedas de ouro não seriam um problema, não é mesmo?

Boss: …

Clérigo: Olhe o que nós fizemos em um pequeno grupo contra vocês. Agora imagine este poder a seu serviço.

Boss: Abandonariam sua causa por dinheiro?

Grupo: Somos mercenários, são apenas negócios.

Ladino: Não somos leais a uma causa, e sim a quem paga mais.

Boss: Huahahaha! Mercenários, é? Ou seja, vocês abanam seus rabos para que pagar mais! Muito bem, se são 50.000 que vocês querem, terão, assim que entregarmos esta carga. Se trabalharem bem, terão ainda mais.

Não demorou muito para o dirigível decolar e ganhar altitude. Apesar da aparente traição, os membros mais experientes do grupo tinham um plano em mente: os conjuradores que pudessem usar a magia voo a usariam para abandonar o dirigível, para que pudessem destruir o balão e deixar a queda matar a todos, com exceção do boss que, por ser um Elemental do ar, poderia voar. Com todos os preparativos prontos, as magias de voo são lançadas e os agora voadores agarram os não voadores.

Mestre: Bem, tirando o ladino, todos estão no ar. O que vocês fazem?

Necromante: Hehehe! Eu olho para o balão e…. Bola de fogo!

Todos os personagens capazes de atacar à distância, atacam. O balão sofre muito dano e começa a cair imediatamente. O grupo, contudo, não vê o ladino deixar o balão conforme tinham planejado.

Feiticeiro: Gente, o ladino não saiu! Ele tinha a magia voo preparada?

O grupo se olha em um silêncio desconcertante, seguido por piadinhas como “seu nome em nosso grupo jamais será esquecido” ou “qual era mesmo o nome dele?”

Instantes depois da explosão, o ladino vê muitos dos inimigos desesperados com a queda, exceto por um feiticeiro.

Ladino: Mestre, eu não o deixo terminar de conjurar o feitiço. Eu ataco com a besta leve, depois eu fujo daqui usando a pedra de teletransporte que o contratante nos deixou.

O ladino faz sua jogada, que acaba cancelando a magia voo do feiticeiro e, na sequência, se teleporta antes de ser atacado pelo boss, enfurecido pela traição.

Um pouco mais acima, seus colegas observam a queda do balão, na expectativa de que seu ladino saia voando. Com o balão próximo ao chão, o druida (novato no grupo) se desespera.

Druida: Tá! Mestre, o cara não saiu! Não tem nada que dê pra fazer pra salvar ele? Eu posso usar alguma magia, sei lá, deixe-me ver a lista aqui…. Ha! Isso serve! Eu uso a magia Queda Suave no balão, assim, ele não vai morrer na queda

RESULTADO

O grupo chegou até o local da missão com sucesso, exterminou as forças inimigas sem deixar rastros, enganou o líder das forças inimigas para evitar um confronto que não poderiam vencer, improvisou um plano para destruir o braço gigante de adamante, e de quebra, matar o restante das forças inimigas. Tudo isso teria feito da missão um sucesso absoluto, se não houvesse aquela última magia do novato que, ao conjurar Queda Suave no balão, fez com que ele pousasse suavemente sem sofrer dano algum.

Depois de muito xingar o druida, o grupo decidiu que seria impossível enfrentar o restante dos inimigos e, consequentemente, o boss, que não aceitaria mais negociar, resultando, assim, no fracasso completo da missão.

E o druida? Dizem que depois da missão ele decidiu voltar para floresta e nunca mais se ouviu falar dele….

Moral da História: Aquele que fica para trás, DEVERIA ser deixado para trás!

DESMEMBRANDO A PERIPÉCIA

AÇÕES DECISIVAS:

  • Correr: Sabia decisão dos jogadores ao perceberem que não poderiam atacar de forma alguma o sprite mago. Sempre que não houver uma forma imediata de se lidar com o desafio proposto na aventura, fugir para pensar em uma estratégia é sempre uma boa opção.

  • Enganação: Nem sempre lutar com um boss é uma necessidade. Ás vezes, uma boa mentira ou uma boa rolagem em Blefar/Enganação pode evitar um combate letal. Neste caso, uma boa mentira, elaborada no improviso pelos jogares, foi o bastante para convencer o boss a não combater. Sem a necessidade de uma rolagem. Em termos e regras de jogo, convencer o inimigo a não lutar garante quase tanto XP quanto derrotá-lo em combate! Fica a dica para quem joga de ladino, bardo e mago/feiticeiro encantador.

  • Surto Heroico: Um surto heroico, normalmente, é visto como algo bom. Poucos jogadores ficariam tristes de ter a vida de seu personagem salva por um companheiro de armas. Entretanto, um surto heroico vindo de alguém em um grupo composto de ladroes, assassinos e mentirosos é inesperado e, quando acontece, pode desencadear problemas. Nesta peripécia, durante a tentativa de salvar o companheiro ladino da queda, o druida conseguiu acabar com os planos do grupo, condenando a missão!

Esta foi a peripécia da vez. Até a próxima peripécia rpgística.

Texto: Jonathan Mattos Rosa

Ilustração: Raul Galli Alves

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